Blues – A resposta do negro à escravidão

Resistência.
É a primeira palavra que me vem a mente quando penso em Blues.

 

 

O branco escravizou. O negro criou o Blues. E a resistência da cultura africana na América começava a se desenhar, com a força e o espírito da ancestralidade negra saltando em cada acorde.

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Quando os negros foram sequestrados da África e trazidos para América, para morrerem trabalhando nos latifúndios, lhes foi tirado tudo. Suas terras, suas roupas, suas famílias,  suas língua, e até seus nomes ficaram para trás. Mas algo pulsava nas veias destes negros que nunca lhes foi arrancado, a força da musicalidade que traziam dentro.

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Negros, pobres, filhos de escravos, semi-alfabetizados, marginalizados pelo racismo… o Blues não foi uma escolha, o Blues brotou de toda essa dor e todo sofrimento que os acompanhava nas desumanas jornadas diárias de trabalho nas fazendas de algodão do Mississípi.

O Blues nasce do sofrimento. O Blues nasce da angústia desses negros, que sem perspectivas econômicas e sociais, começaram a cantar sua dor.

Mas o Blues não é triste! O Blues foi  justamente a cura para todo esse mal. Foi o que os fez resistir a dura vida nas fazendas de algodão, onde trabalhavam do nascer ao pôr do sol por 75 centavos de dólar a semana!

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Essa música que nasceu da opressão e da dor geradas pela escravidão, fez a primeira geração de negros ricos na América e possibilitou que vários estilos musicais fossem criados nas primeiras décadas do século XX.

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O Blues tem uma força inexplicável. Me arrebatou desde a primeira vez que escutei e tem sido a trilha sonora de todos os meus momentos, dos mais felizes aos mais tristes.

Sou uma amante. Apaixonada pelo Blues. E movida por esse amor quero resgatar um pouco da vida, da história e da música dos meus bluesmen preferidos. Quero falar sobre o Blues. Sua fascinante história, indicar livros, deixar filmes, músicas e tudo que fui conhecendo sobre o Blues nesses últimos vinte anos.

O Blues ocupou um espaço que nunca um ser humano pôde ocupar. Na alma. Me fez aceitar a solidão e valorizar as companhias. Pocas, boas e eternas. E me ajuda ainda hoje nessa missão de me reconciliar com o passado e seguir.

 

Contei aqui ontem sobre  O meu primeiro Blues, e foi muito emocionante escrever sobre Augusto e a sagração do Blues na minha vida… confesso que as lembranças me fizeram tentar encontrá-lo por redes sociais… foi um erro… deveria ter ficado com a ilusão de um dia encontrá-lo num bar qualquer pelo mundo.

Sim, ele está morto. As pessoas morrem. Mas o Blues de alguma forma as eterniza. Para mim ele está guardado em muitos Blues que escuto até hoje.

Mas tem um Blues que é especial…  o Blues que Augusto se materializa, aqui na minha frente, cantando junto com T-Bone Walker e olhando pra mim, como fazia em nossas tardes…. “Play on little girl…just keep on having fun…” e esse vai ser o primeiro Blues que vou deixar aqui… é um Blues dos anos 50… que me faz feliz até hoje.

Um comentário em “Blues – A resposta do negro à escravidão

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