Bisturí da morte

Tenho medo de ser quem sou. Me olho e não exergo as bordas, o contorno… é um sem fim de sangue e lágrimas que me derramam pela vida antes mesmo que me dê conta que existo.

Me insinuo a qualquer oportunidade de gratidão. Não posso mais ser feliz, mas você pode! E te fazendo feliz, amansa em mim o desejo próprio de realização e aceito o agradecimento…. a recompensa que o cérebro suplica ao fim de cada inquérito.

Já pensou que impedes minha morte? Eu já… mas não sei ainda se isso aumenta ou tonifica a dor… cessar não cessa.

Compraria doze litros de tramal se acreditasse que essa dor não é justa, que a vida me humilha, que me esquece de propósito com as veias abertas no corredor da enfermaria… mas a injustiça me atrai, me iguala ao resto do mundo, e me redime bem alí, enfrente a minha usina de culpas.

Na certeza da condenação, a lentidão na execução da pena me aflige, só minhas cinzas te libertam, me liberam…

Espero sem anestesia o bisturi da morte.

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