A pornografia e as mulheres na indústria erótica no século 21 – Parte 1

(…) estamos vendo uma revolução na pornografia que segue a perspectiva das mulheres, em vez da do homem. A maioria da pornografia é toda voltada para o que os homens querem ver, e, consequentemente, as mulheres não estão interessadas. Tenho a sensação de que isso está mudando à medida que mais mulheres adquirem posições de poder dentro da indústria e começam a fazer revistas e filmes eróticos, focados no que elas querem ver.

Tim Pilcher, desenhista, escritor e editor de cultura erótica.

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Tim é cria da DC Comics, onde desenhou por muitos anos. Hoje é presidente da The Comic Book Alliance, onde não apenas desenha e escreve mas desenvolve uma série de projetos gráficos lançando novos nomes no mercado de comics eróticos e fomentando a produção no Reino Unido e no mundo. Em poucas palavras ele é o cara mais antenado e a voz do seguimento no mundo, por isso suas palavras estão no topo de um post que fala de mulheres que estão abrindo caminho em um seguimento historicamente dominado por homens e por fim, eles estão se rendendo e dando o espaço que as mulheres desejam na produção de conteúdos pornográficos.

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Durante séculos, tanto a arte erótica quanto a pornografia foram produzidas essencialmente por homens, para homens e para um público em sua maioria hetero. De um tempo pra cá isso vem mudando, as mulheres estão entrando com força no mercado do erotismo, especialmente nos quadrinhos eróticos.

Passei anos escrevendo sobre arte erótica para vários blogs e agora quero falar disso aqui. Como estou livre e não estou produzindo por encomenda posso falar do que quero pela primeira vez. Por isso começo com o erotismo produzido por mulheres, que é um seguimento que amo dentro da arte erótica e porque é bem pouco conhecido e divulgado.

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Pouca gente sabe mas são muitas as mulheres que estão produzindo pornografia atualmente em todo o mundo. Elas vem lutando por um espaço nesse seguimento desde a década de 70, quando o mercado era exclusivamente dominado por homens.

Melinda Gebbie foi uma das primeiras a desafiar não só a sociedade careta e conservadora da época como os próprios ilustradores homens, que não foram lá muito simpáticos com as mulheres que queriam produzir pornografia naquela época, como conta Melinda sobre o comportamento deles quando ela começou:

 “Era uma espécie de ‘Clube do Bolinha’. Nós tivemos que montar nosso pequeno acampamento perto do clube dos meninos, mas não muito perto ou eles viriam bater na nossa porta e atirar papel higiênico em chamas pela janela. Era essa mentalidade.”

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Melinda tem uma obra incrível, produziu quadrinhos eróticos em um época em que a produção de pornografia estava proibida para garotas, assim como o seu consumo.

Além de Melinda vou mostrar aqui o trabalho de várias ilustradoras e produtoras de conteúdo erótico e pornográfico voltado para o publico feminino, que como bem falou Tim Pilcher representam hoje o renascimento dos quadrinhos eróticos, pois o mercado já não aguentava mais aquele eterno mete e chupa produzido pelos homens.

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Vou falar aqui nessa série da obra de Frida Castelli, minha atual ilustradora erótica preferida ❤ que faz um diário ilustrado de sua vida sexual:

Apollonia Saintclair com seu intenso erotismo em preto em branco mostrado a partir dos seus desejos de mulher:

Giovavanna Casotto e seus desenhos super realistas inspirados nela mesma e em suas fantasias sexuais:

Jess Fink com seus quadrinhos cheios de romantismo, sexo e ficção cientifica:

Lynn Paula ❤ com seu traço clássico e limpo, trazendo lindamente o Bdsm, o voyerismo e diversos fetiches femininos:

Essas são algumas das mulheres que estão dando nova cara á indústria pornográfica no seguimento impresso, ainda tem Trina Robbins, Terry Richards, Aline Kominsky, Lora Fountain e as brasileiras, que mesmo não tendo ainda reconhecimento internacional estão movimentando o mercado e produzindo pornografia para mulheres, Aline Lemos, Sirlanney entre outras que falarei aqui no blog nas próximas semanas.

Cada uma dessas mulheres vem com uma pegada diferente, uma forma distinta de abordar o sexo e o erotismo nos quadrinhos, sempre do ponto do vista da mulher, e esse movimento é altamente libertador e significativo, uma pena que muitas não conheçam esses trabalhos e ainda vejam a pornografia e a arte erótica como algo tosco e sujo, nada mais irreal.

Como amante de quadrinhos eróticos e fã de Milo Manara, Robert Crumb, Carlos Zéfiro e Cia. me senti realizada em conhecer a produção dessas mulheres. A coragem com que elas estão se impondo nesse mercado machista, tão marcado por preconceitos de todos os lados e por se mostrarem tão eficientes e luxuriosas ao contarem nossas histórias sexuais. Apaixonante!

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3 comentários em “A pornografia e as mulheres na indústria erótica no século 21 – Parte 1

      1. Zefiro é o traço brasileiro nos quadrinhos eróticos, marcou muito, um clássico no segmento. Ele vazia quadrinhos eróticos em uma época que não havia as opções e o acesso a pornografia que tem hoje, isso é o que me fascina na obra dele, é muito autêntica e irrepetível … muitos amigos me contam que as mulheres no Zefiro foram as primeiras mulheres que eles viram nuas!!! Hahahahaha, isso é muito bom!

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