Caixa preta em queda livre

A vida é feita de pequenos desaforos. Uma caipirinha mal batida, um pedido de desculpas que nunca chega, uma meia calça desfiada…

Aos míseros momentos de alegria, um brinde! Uma selfie, uma vela, uma rosa… E assim vamos sobrevivendo à maldade alheia, e assim vamos sobrevivendo à nossa fragilidade… supliciando nossa coragem e beatificando nossa dor. 

É só na glória silenciosa da introspeção, quando somos carregados por nós mesmos pra dentro de nossa antítese, que algo começa a fazer sentido, porque o ar aqui fora está calibrado no discurso… e palavras… palavras não são promessas, são apenas sons… emitidos na falta de recurso melhor para expressar o conteúdo de uma caixa preta em queda livre.

Sim… espero apenas por mais um desastre… quase consigo ver-me debaixo dos escombros, quase sem vida quando me encontras. Ainda respiro enquanto abres meu peito. Ainda posso ver-te vasculhando meu tórax dilacerado. Sinto-o buscando um coração…. sei que apenas encontrará a maldita caixa preta, inviolável, e vazia… me vem a tosse, o soluço, o engasgo… não tenho mais forças para impedi-lo… permito e voo.

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