Sonhei com Einstein

Sonhei com Einstein. Estava deitada em uma rede preta em uma sala toda escura, com janelas negras, todas fechadas. Ele entrou e começou a balançar a rede. A escuridão era total, somente podia ver seu rosto e ele o meu.

Eu não estava gostando mas não queria pedir a ele que parasse de me balançar… ele era Albert Einstein!

Sentei-me na rede e girei os pés para fora, não havia chão, estávamos flutuando. Ele aproximou-se de mim, da minha orelha e bem perto do meu ouvido ele disse: você tem que sonhar, você não pode ficar assim sem sonhar.

Saltei da rede e comecei a cair naquela escuridão. Estava tudo escuro e eu caia sem chegar a lugar nenhum.

Acordo na minha cama branca, dentro do meu quarto branco, com minha pele branca enrolada em meus lençóis brancos.

Saio do quarto branco e estou novamente na sala escura, ainda não acordei! A rede ainda balança no meio da sala negra. O chão está frio, muito frio, tão frio que queima meus pés descalços, corro para rede, deito nela outra vez. Einstein aparece de novo, começa a balançar a rede. Isso me incomoda, mas de novo não peço que pare, salto! Dessa vez caio de joelhos no chão.

Saio rastejando de quatro. Você parou de sonhar, ele dizia com raiva, sussurrando alto, enquanto se projetava sobre mim, meus joelhos começam a sangrar, um sangue azul, brilhante, luminol! Estou numa cena de crime! E sou a vitima! E porque? Porque meu deus? Só porque parei de sonhar!? Que culpa tenho nisso? Porque Einstein está aqui? Ele vai me matar? É uma cena de crime, alguém morre! Eu? Não!

Não quero morrer de quatro num quarto escuro aos pés de Einstein. Levanto. O sangue azul brilhante escorre dos meus joelhos, só dos joelhos, nao vou morrer. Ele segue dizendo que não posso parar de sonhar, empurro-o, ele é velho, fraco, cai. Piso com força na cara dele, o cabelo branco de Einstein fica azul, encharcado com o sangue do meu joelho rastejado. Ele ainda tenta me enganar, dizendo que parei se sonhar! Mas sei que estou num sonho!! Com meus pés apago sua cabeça como se fosse uma bituca de cigarro no chão. A fumaça que sai de seus restos é branca e tem cheiro de café. A sola do meu pé está queimada. Acordo com a dor.

Acordo no meu quarto branco, penso em Descartes. Na teoria dos sonhos. E fico em dúvida se a verdadeira vida é aquela, a do subconsciente… ou se simplesmente a vida real é essa mesmo, de quando estou desperta… talvez tenha mesmo parado de sonhar e a vida seja matar um Einstein por dia pra sobreviver… talvez Aristóteles estivesse mais próximo em sua metafísica do ser enquanto ser… mas preparo um café, é pura física. Tomo banho, física. Ligo o carro, mais física. Einstein me cerca de todos os lados… Sim, acho que ele quer me matar. De realidade. Só volto a dormir com Aristóteles! E na metafísica do amor de Schopenhauer!

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