Desculpe-me por recusar-te

Lembro de quando me relacionava com as pessoas, vivia angustiada. Muitas expectativas a atender.

Hoje, tudo gira em torno dos meus desejos.

Satisfazer-me foi a lição principal dessa vida de amores… quando penso nas incontáveis ocasiões en que fui a lugares que não queria, assisti a filmes que não gostava, conversei com pessoas que não me interessavam… nossa… abri muitas concessões.

Achava que as concessões eram para mim. Para ficar em paz. Equívoco. As concessões são sempre para outro, são o pior dos jogos de poder nos relacionamentos. É sempre um contrato unilateral. Aquele que começa concedendo torna-se o concessor e nessa posição permanecerá. Cedendo. Até o fim do contrato. Porque só assim todos estarão felizes.

Hoje não abro mão do Blues. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Não deixo ninguém ocupar espaço na minha cama, censurar minhas roupas, falar mal dos meus amigos. Não aceito instruções de comportamento nem familia alheia. Recuso convites e aceito propostas. Desde que sejam propostas recusáveis.

Ando vivendo pra mim. Amando meus restos. Esquartejada que fui, reúno meus pedaços e dessa gestalt me desenho maior, incrivelmente íntegra.

Desculpe-me por recusar-te. Não posso competir comigo mesma, estou forte demais. Não me supero, apenas me obedeço.

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