Confio mais no tempo que em mim

Confio mais no tempo do que em mim. Vejo como ele aguenta a dor arranhando a garganta sem dar um grito sequer. Silencioso. Sóbrio. Discreto. Assim o tempo passa, soldando ferro em madeira, amor em água…. é assim que o tempo mostra que não há mal que não seja pra mim.

Resignada. Também aguento. Tento me afastar. De um, de dois, de quem quer que seja. Mas as tragédias me perseguem. Pessoas querem se matar em mim… desejam se matar em mim… sirvo… apenas sirvo ao destino dos pobres mortais.

De todas as tragédias, de longe a pior delas é essa final. Quando eles constatam que você é estóica e ainda sim te perguntam: em algum momento você me amou ou fui só mais um?

Tento explicar que não é nada pessoal, que não amo ninguém. Mas eles não tem subsidio moral para entender o amor que me liga à solidão. Desisto de respostas complexas e meu fascínio pela leveza, pela liberdade e pela dor me induzem a responder apenas, sim… apenas mais um.

Também dói em mim. Amar seria mais fácil! Mas não posso me trair.

Me entregar ao amor é destituir o divino que pulsa em mim e que me cobra todo dia: voe, voe, voe mais alto! Tudo isso porque um dia lhe pedi asas ao invés de um amor.

Sei que não confias em mim, eu também não o faria mas se pudesse te dizer algo de verdadeiro: não sofra meu amor, a realidade é o que criamos.

Confie no tempo, o que ele faz por mim fará por você.

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