Citar pequeno príncipe e amar Kafka?

Na primeira vez que saímos ele citou pequeno príncipe. Nesse momento deveria ter fugido. Mas não, dei uma oportunidade pois ele disse ser leitor de Kafka.

Os encontros foram se sobrepondo e o sexo diluiu um pouco a decepção literária.

No decorrer dos tempos suas ações e seus discursos se mostraram tão moralistas que não podia entender como o mundo kafikiano não o tinha libertado.

Passando mais horas com ele descobri que ele leu carta ao pai “mas não terminei”, fiquei muda, gelada, duvidando da cada palavra que havia me dito até então, mas ele era geminiano, relevei.

Chegou seu aniversario, lhe dei de presente um livro de Kafka em quadrinhos, ilustrado por Robert Crumb! Dentro do livro tinha um bilhete, de amor… ele descartou o bilhete e colocou Kafka na prateleira junto com os livros de medicina.

Sabe… é impossível citar pequeno príncipe e amar Kafka… improvável amar Kafka e ser um homem banal, comum e mediocre como ele era…

Hoje, estou mais atenta aos sinais e ao menor indício de golpe literário me afasto imediatamente!

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