Para não perder minha vaga no inferno

Essa vida pálida não me assusta mais. Já vivi quase que na transparência. Uma existência subversiva me salvaria mas tenho preguiça até de bocejar.

Todos os dias ao acordar rezo incontáveis pai-nossos, até ter coragem de abrir os olhos. Depois, de olhos abertos vem a sequência de ave-marias, pra poder sair da cama. Sei que Deus me olha e me acha patética… cheia de saúde e presa nessa harmônica decadência… peço um pouco mais de paciência, pra ele claro.

Desarmada, assim cheguei nesse jogo e até agora não acumulei o suficiente para me auto proteger, preciso de mantras e ervas, velas e gato preto pra me defender.

Minha fragilidade se acanha diante da ferocidade da vida. Que dilacera os utópicos sonhos de amor e nos alerta de tempos em tempos: viver é doloroso, querida, e só.

Ainda sim me quebro. Só pelo prazer de escutar o estalo. Ainda sim me mordo, só pra alisar o relevo na pele. Ainda sim peco sobre o pecado, num desespero indomável de não perder minha vaga no inferno 🙏 amém!

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