Sedenta por cuspir esse sangue

Você foi aquele porre sem álcool. Aquela misericórdia maldita do pouco que sobrou de amor. Mas como bem disse, você foi, do verbo ir… e depois disso a vida se abriu como um talho na testa. As vezes ainda sinto o sangue escorrendo entre os olhos e quando chega a boca, não trago, sugo e depois cuspo, e sinto minha mandíbula ir e voltar como a de um tubarão… sedenta por se desfazer do sangue e não de busca-lo como o predador marinho.

Cuspiria todo sangue em sua cara, ainda, como faço todas as vezes que nos encontramos em sonho. Não consigo me libertar da deslealdade de suas mentiras… gratuitas, desnecessárias. Uma única palavra teria me libertado e me privado dessa dor mas você nem se importou. Um sim, quando te perguntava se estava em outro romance, um vai, quando te dizia que iria embora… mas a covardia paralisa, e a estupidez impera quando se apossa de almas mesquinhas e imaturas como a sua.

Você foi, e com isso o sofrimento, mas como discípula de Belchior percebo que o ter sofrido não vai junto e nos transforma em rígidos juízes que ao menor sinal de amor decretam a morte dos prematuros enlaces.

Aproximar-se é preciso, dar-se não. Entende o corpo, aceita a mente. Mas a alma ainda espera um entendimento que talvez nunca chegue, mas ainda sim espera achar para onde foi aquele amor todo. Será possível que era tudo mentira?

Seco com a língua a resto de sangue no lábio e me atiro no Negro. Só suas águas ludibriam as perguntas indomáveis da alma… lava Negro, lava…

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