Te devoram pelas bordas

Sou essa que inventei. Entre perdas e surtos construí essa banalidade que chamo publicamente de eu. Não me apresento mais a ninguém, não tenho o que oferecer, e nada do que me ofertam me serve. Cheguei no mais alto grau da antipatia introvertida. Sorriso na cara para abreviar o tempo de exposição, assim me livro mais rápido da inquisição. Se te percebem triste ou cansada, logo querem alongar a conversa, o ser humano adora a desgraça é fascinado por historias perversas. Sempre bem! Para me desvencilhar rápido das preguntas que são sempre as mesmas: e o marido, e o filho, e o trabalho, o amante, Barcelona… Te devoram pelas bordas porque você mesmo, não importa! Seu entorno não é você mas me parece que acaba sendo o que te projeta… ou pelo menos a imagem que é projetada… mas o grande problema é que a imagem enxergada pelo olho humano é gerada pela luz, enquanto que a verdadeira imagem de cada um de nós é desenhada pela sombra, escrita pela escuridão… mas isso nenhum olho humano vê e muitas vezes nem nós mesmo somos capazes de enxergar, de nos enxergar. Exagero? Experimenta fotografar sem luz!

 

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