O quinto estigma

Quando deixei a primeira casa tinha os punhos perfurados, sangrava por eles todos os sonhos do amor romântico.

Depois me cravaram uma coroa de espinhos… meus pensamentos ficaram confusos… nesse amor perdi um pouco da identidade e até mesmo da razão… mas de lá consegui sair em pouco tempo.

Um pé sobre o outro, estive imobilizada pela terceira vez… a dor, o sangue a impossibilidade de caminhar de seguir meu caminho… meu caminho! Não existia mais meu caminho… tinha parido um humano… era dele agora.

A cada dia o silêncio me rasgava as costas, a quarta chaga vinha lenta, triste, cheia de concessões. Abandonei meu mundo, cruzei um oceano pra viver sua vida e transformar a minha… ainda sangram essas feridas…

Com a pele ainda retalhada, veio você, o quinto estigma. Mortal.

Mas como Teresa, aquela de Ávila, da morte despertei, pra nunca mais me deixar fechar os olhos, nem por um segundo, nem por um descuido.

Não são só os santos que ressuscitam… mas não convém abusar.

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