Não blafemo mais contra o “eu te amo”

Todas as vezes que tento dessangrar o verbo amar, ele me mostra com suas linhas, que meu esforço desesperado nada tem de real.

Todas as vezes que tento me acomodar no topo da cadeia alimentar ele vem me falar do amar, como uma condição humana…

Ele se preocupa com a metafísica do amor! Eu, com o usufruto do eu te amo! Ele, Shopenhauer, eu Nietzsche…

Distantes? Não! Paralelos. Como as retas… aquelas que te ensinam na geometria que nunca se cruzam, mas aí você quebra a casca do ovo, observa o universo e descobre que as retas paralelas se beijam no infinito!

E por falar em ovo… quem veio primeiro? A metafísica ou a etimologia? O amor ou eu te amo?

Em tempos de cyber espaço nunca sei se ainda se deve olhar pra cima pra buscar respostas… Ícaro diria sim! Para cima sempre! Às últimas consequências!

Hahahaha os gregos! Ai ai gregos, ultimamente minha vida vem se apresentando tão surpreendentemente surreal que só Zeus pra um porre num boteco me salvaria!

E por falar em gregos… quando penso nele, e penso nos universos que cria com suas palavras, me vem a mente o primeiro de todos os deuses gregos, o deus da queda livre, o deus que representava o precipício sem fim, a queda eterna… Caos! Aquele que só foi detido por Gaya, que precisava interromper a queda angustiante de Caos. Afinal, ninguém podia se atrever a ser tão livre!

Não, espera! Impossível! Ele não pode ser Caos, os peixes não sobrevivem embaixo da terra! Talvez Dédalo, pai de Ícaro, o arquiteto de labirintos! Sim! Ele seria Dédalo! Um arquiteto de labirintos! A cara dele projetar caminhos que se cruzam, se perdem, se acham e se abandonam em cada esquina, subitamente, sem saída!

Hahahaha, rio porque não sou poeta, sou impulso! Posso!

Bom, de resto, não me dou mais o direito de blasfemar contra o eu te amo… mas talvez só no caso dele… porque ele não fala de amor…

Ele não fala de amor, ele é o amor… alma de Caos… funda, subterránea… que já não sofre porque aprendeu a passear com a dor, porque teve a coragem de descer e domá-la… como eu… e aqui, só posso terminar com suas próprias palavras, que de certa forma são minhas também, viemos do mesmo subsolo… nós encontramos no mesmo labirinto…

Te amo!
E o amor só pode ser unilateral.
Ele nunca espera retorno.
Ele simplesmente vai!

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