Faringe

Bateu tanta punheta depois que a conheceu que deslocou o ombro. Devido a imobilização teve que começar a masturbar-se usando a mão esquerda.

Como era canhoto a esquerda era a mão mais forte e não lhe servia, pois os orgasmos que tinha pensando nela, só podiam ser produzidos por uma mão leve, suave, como imaginava serem as mãos dela.

Devido ao contratempo do deslocamento do ombro, ele passou duas semanas sem tomar café da manhã. Como poderia ir até a padaria, ver aquela criatura desenhada a mão e não estourar de desejo logo cedo.

Evitava pensar nela para não excitar-se mas quando dormia não tinha jeito, o inconsciente tomava o controle e trazia a moça nua com os cabelos voando pelos ombros e o chamando para o prazer.

Quando acordava, ele tinha as cuecas pesadas do gozo do subconsciente e imediatamente sentia nojo de si mesmo, que naquela idade não era capaz de encarar a mulher que tanto desejava e dizer um oi que fosse.

Chegou o carnaval, seu ombro estava recuperado e seu desejo por aquela mulher crescente. Tomou uma decisão embalado por toda aquela atmosfera de luxúria e libertação que caminhava com o carnaval, e decidiu falar com ela.

Encheu-se de valor e aproximou-se da moça na padaria em que ambos frequentavam todas as manhãs mas ela falava ao telefone e não percebeu a aproximação.

Ela falava com alguém que chamava de meu amor, marcaram um encontro e se despediram com eu te amo.

Foi frustrado pra o trabalho. Mais que frustrado ele estava arrasado. Ainda mais que arrasado ele estava furioso. Ela tinha um namorado… e pior, ela o amava…

Trancou-se no banheiro do escritório e bateu 27 punhetas seguidas, só de raiva. Foram 13 com a mão esquerda, 13 com a direita e a última, a mais sofrida, com as duas mãos que ja perdiam a força.

Quando saiu do banheiro todos os olhares foram em sua direção. Ele estava suado, amassado, descabelado, abatido e completamente sem forças. Não teve outra, caiu duro no chão.

No hospital teve os dois ombros imobilizados. Ficaria três semanas sem mover os braços.

Quando chegou em casa desesperou-se. Nada de café, nada de punhetas por três semanas! E aquela dor! Uma dor que fazia com que suas clavículas parecessem sufoca-lo, como duas mãos a comprimir sua faringe para que o ar faltasse no limite da morte.

E foi assim que descobriu, aos 17 anos, que o amor não doía só na alma.

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