Imortal até o dia de minha morte

sou imortal, até o dia de minha morte… e assim vivo cada segundo, de costas para o muro…

aquele mesmo muro que Sartre cravejou de balas de espingarda… aquele mesmo muro que manteve despertos numa cela três homens e um belga… aquele mesmo muro que separou vivos-mortos de vivos-vivos…

sempre quis saber o que tinha atrás do muro… em minha cabeça amazônica só posso imaginar um vizinho idoso que tinha sua rede atada alí, do outro lado do muro de Sartre… e passava as manhãs se embalando entre um tiro e um nhec, um soluço e um nhec, um crânio contra o solo e um nhec… nhec… nhec…nhec…

quanto mais perto chego da morte mais sedutora se mostra a vida e quanto mais sedutora se joga a vida em mim, mais perturbadora se torna essa crucificação!

e tudo isso porque existe um muro! malditos sejam os homens que construíram o muro, malditos sejam os homens que inventaram a roda! malditos sejam os homens que pra construir destroem… sem acordo…

sou imortal em cada segundo que vivo nessa distorção do mal me quer… mas ainda sim sigo recortando corações e vomitando vento… ainda sim sigo regando meu jardim e esperando nascer o girassol… o girassol que nasce pra morte… como as lagartas, as baratas, os alces e os quatis… mais sorte têm os mamutes, que já nascem mortos na imaginação…

no fim das contas todos nascemos para a morte e vivemos pra ela… eu vivo… tu vives, ele vive… nos morremos… amém!

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